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Infertilidade feminina: entenda quais são as causas e como reverter

Junho é considerado o Mês Internacional da Infertilidade, com o objetivo de informar e incentivar as pessoas a buscarem tratamento

A infertilidade feminina pode ser causada por fatores diversos.


Muitos casais apresentam dificuldades para ter filhos e, em alguns casos, resistem a buscar tratamento, acreditando que seja algo muito custoso e pouco fiável. Acontece que nas últimas décadas os conhecimentos científicos avançaram e hoje os procedimentos são mais acessíveis. Informar e conscientizar as pessoas sobre o tema é o objetivo do Mês Internacional da Infertilidade, comemorado em junho.

A Revista da Mulher aproveitou o momento para pedir ao ginecologista e especialista em medicina reprodutiva Bruno Ramalho de Carvalho para tirar todas as principais dúvidas sobre o tema.

O diagnóstico da infertilidade

O especialista explica que dá-se o diagnóstico de infertilidade conjugal aos casais que tentam engravidar por pelo menos um ano, sem sucesso, com relações sexuais frequentes e sem qualquer método contraceptivo. “A infertilidade pode ser consequência de uma grande diversidade de fatores que, sozinhos ou em conjunto, dificultam a obtenção da gestação”, ressalta. 

Apesar de existir vários fatores que podem levar à infertilidade feminina ou masculina, acredita-se que aproximadamente 85% dos casais normais conseguirão a gravidez espontânea e que apenas 10 a 15% não a consigam sem tratamento especializado. 

Principais causas 

Segundo Bruno Ramalho, entre as causas da infertilidade feminina, merecem destaque: 
  • Síndrome dos ovários policísticos, que leva à ausência de ovulação (problemas da ovulação podem atingir até 40% das causas femininas); 
  •  Endometriose, que pode levar a obstrução ou mau funcionamento das trompas, entre outras alterações do aparelho reprodutivo; 
  •  Doenças do útero, como os miomas ou pólipos que invadem a cavidade do órgão e as malformações (doenças de pelve ou das trompas podem atingir outros 40% das causas femininas). 

Dez por cento dos casos de infertilidade feminina não têm causa aparente e outros 10% ocorrem por causas pouco usuais”, destaca o ginecologista. Vale lembrar que o fator hereditário influencia pouco na questão da fertilidade.

Ainda segundo o especialista, condições como obesidade, tabagismo e passado de infecções sexualmente transmissíveis podem contribuir com a dificuldade de ter filhos. “Não se pode deixar de mencionar também a idade da mulher como um fator determinante para a fertilidade nos dias atuais”.

A idade da mulher 

Bruno Ramalho afirma que a questão relacionada à fertilidade em função da idade da mulher precisa ser melhor explicada. “Sabe-se que tanto a quantidade quanto a qualidade dos óvulos femininos caem à medida que a idade aumenta e que uma parcela significativa das candidatas à maternidade tardia pode estar inférteis quando desejarem engravidar, alerta. 

E a desinformação sobre essa relação inversa entre idade e fertilidade ainda preocupa muito no dia-a-dia do consultório. “De acordo com um estudo norte-americano publicado em 2012, metade das mulheres ficariam chocadas ao serem informadas sobre a possibilidade de haver uma queda da fertilidade a partir dos 35 anos de idade”, lembra. 

Ele explica que a faixa etária entre 35 e 40 anos deve ser considerada decisiva para a fertilidade. “Não aprovo a disseminação do pessimismo exagerado, mas é recomendável que se iniciem as tentativas de engravidar o quanto antes ou que se busque orientação de um especialista, caso ainda não seja, individualmente, momento ideal para a procriação”, afirma o ginecologista.

Sobre a maternidade tardia, Bruno Ramalho de Carvalho explica que "75% das mulheres que iniciam as tentativas de engravidar aos 30 anos darão à luz um nascido vivo dentro de 12 meses, enquanto apenas 44% o farão quando o início das tentativas ocorre aos 40 anos de idade”.

Tratamentos para a infertilidade

De acordo com o especialista, o tratamento da infertilidade pode ser de baixa ou de alta complexidade. “O que diferencia a baixa complexidade da alta é, basicamente, o local onde acontece o encontro entre o óvulo e o espermatozoide. Na baixa complexidade, óvulos e espermatozoides encontram-se dentro do corpo da mulher, mais comumente nas trompas. Na alta complexidade, o encontro acontece no laboratório de reprodução assistida”, explica. 

“Entre os tratamentos de baixa complexidade, é fundamental a existência de ao menos uma das trompas em funcionamento e inclui o coito programado, que se destina efetivamente às mulheres com problemas de ovulação (ausência ou frequência diminuída). Já a inseminação intrauterina, mais conhecida como inseminação artificial, é bem indicada nos casos em que há problemas masculinos leves, na infertilidade sem causa aparente, na maternidade independente (quando não existe um parceiro e recorre-se ao sêmen de um doador anônimo) ou nas uniões homoafetivas”, destaca Bruno Ramalho.


Alta complexidade

O ginecologista explica que os tratamentos de alta complexidade contemplam o que formalmente se considera reprodução assistida, a fertilização in vitro. “Inicialmente, foi indicada para mulheres com as trompas obstruídas, mas hoje há uma lista vasta de indicações possíveis. Atualmente, daria destaque a duas situações específicas: a endometriose, uma doença muito em destaque ultimamente, e a preservação da fertilidade em mulheres que recebem diagnóstico de câncer e congelam seus óvulos antes do tratamento (quimioterapia ou radioterapia)”, ressalta. 

Bruno Ramalho afirma que é importante frisar que os tratamentos da medicina reprodutiva (mesmo a fertilização in vitro) não garantem que a gravidez vá acontecer. “De forma generalizada, podemos dizer que o sucesso da fertilização in vitro é atingido em 40% a 50% dos casos, nos melhores cenários, ao passo que tratamentos de baixa complexidade levarão à gravidez em 15% a 20% das vezes”. 

Mesmo com a disponibilidade de tecnologias mais avançadas ainda é preciso contar muito com a natureza e a idade da mulher continua sendo um dos fatores importantes que influemciam as taxas de gravidez em fertilização in vitro. “Para uma mulher com 40 anos ou mais que utiliza seus próprios óvulos, o sucesso no tratamento não deve ser esperado em mais de 15% dos casos”, conclui.

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