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Cesárea eletiva: quem decide sobre como e quando o bebê deve nascer?

Especialistas defendem novas regras do Conselho Federal de Medicina e tiram dúvidas sobre os impactos da cesárea eletiva para a mamãe e o bebê

Novas resoluções sobre cesárea eletiva são defendidas por especialistas.


Muito se discute sobre qual é o melhor tipo de parto, muitas vezes sem informações seguras sobre qual seria o mais viável, seguro ou confortável para se trazer um bebê ao mundo. Há quem defenda fortemente o chamadoparto humanizado’, que prioriza o nascimento natural do bebê, enquanto outras pessoas preferem a cesárea eletiva, que possibilita a definição de quando e como o parto será feito.  

Apesar de toda esta discussão, o que sobra no final mesmo são muitas dúvidas sobre o que é melhor para a mamãe e para o bebê. Recentemente, o Conselho Federal de Medicina (CFM) anunciou uma nova resolução determinando que a cesárea eletiva seja liberada apenas após a 39ª semana de gestação, retardando a interrupção da gravidez, já que antes poderia ser realizada a partir da 37ª semana

Uma pesquisa da Fundação Oswaldo Cruz (FioCruz) mostrou que 50% dos partos realizados na rede pública são cesáreas, enquanto nas redes particulares este índice chega a 88%, o que é considerado alarmante

Cesárea eletiva


A ginecologista e obstetra especialista em reprodução humana, Ana Lucia Beltrame, explica que a cesárea eletiva “é quando a mãe faz a escolha pela cirurgia cesariana sem necessidade prévia, como riscos para o bebê ou para a gestante e possíveis complicações na gestação e no parto”.

A especialista lembra que a decisão deve sempre ser tomada após análise cuidadosa. “A menos que a mãe esteja inconsciente e correndo risco de morte, a decisão precisa ser tomada por ambas as partes. A paciente precisa ter acesso às suas opções e o médico deve orientá-la da melhor escolha a ser feita de acordo com seu histórico médico”, destaca Ana Lúcia Beltrame. 

Para o ginecologista e obstetra Alberto Guimarães, que é defensor do parto humanizado, a maior preocupação deve ser com relação ao momento oportuno para o neném, e não para o médico ou para a mãe.  Ele ressalta as vantagens de aguardar o desencadeamento natural do trabalho de parto. 

"Devemos priorizar o atendimento à gestante e a verificação da boa vitalidade fetal. A partir da 39ª semana provavelmente a maturidade pulmonar fetal já ocorreu, no entanto, isso não significa que o parto tenha que acontecer naquele momento”, reforça o Dr. Alberto Guimarães. 

Ana Lúcia Beltrame lembra que o bebê é considerado formado a partir da 37ª semana de gravidez, o que não significa que ele esteja necessariamente pronto para nascer nesse período.  A médica lembra que bebês com menos de 39 semanas correm riscos de desenvolverem problemas, por não terem finalizado todo processo de amadurecimento pulmonar. 

"As últimas semanas de gestação são fundamentais para o desenvolvimento dos sistemas imunológico, respiratório e neurológicos. Com a resolução do CFM, o número de internações nas UTIs neonatais por complicações pode diminuir, por exemplo”, destaca a especialista.

Como e quando decidir?


A ginecologista afirma que a evolução do trabalho de parto depende muito do estado emocional e psíquico da mulher, uma vez que se acredita no parto ativo, ou seja, com a participação efetiva da mãe no nascimento do bebê. 

O parto é sempre uma escolha em conjunto do médico e da paciente. Uma mãe que optou por ter seu filho via cesárea não pode ser julgada e tratada com inferioridade, pois não sentiu ‘as dores do parto’”, lembra a Dra. Ana Lúcia.

Informação é fundamental. É papel da equipe médica colocar as vantagens e desvantagens de cada via de parto, deixando claro que sempre o mais fisiológico, na ausência de complicações, é a via vaginal”, conclui a especialista.

Para Alberto Guimarães, o papel do obstetra neste momento é fundamental. Segundo o ginecologista, é  no período do pré-natal que o médico deve explicar para sua paciente a importância de esperar o momento certo para o bebê nascer.

"Aconselha-se evitar a cesárea eletiva, já que existem métodos não farmacológicos de evitar a dor excessiva dando mais conforto e amparo e quando necessário. Existe a analgesia farmacológica”, afirma.

O especialista lembra que, em muitos casos, a cesárea eletiva acontece por estímulo do médico, mas há também exemplos de mães que desconsideram o parto normal ou humanizado por medo da dor ou pela busca de um processo mais rápido. 

“Devemos levar em conta que, uma criança nascida na hora em que ela desejou, ou seja, por meio de parto normal, tem menos chances de adquirir doenças e alergias, já que o sistema de defesa do organismo irá se desenvolver de maneira mais eficiente e completa. Outro objetivo importante é a facilitação do vínculo entre a mãe e o neném, que é estabelecido de modo mais intenso”, reforça o ginceologista.

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