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Demissexualidade: conheça a orientação de quem só atrai por alguém após conhecê-lo

Sentir vontade de ir para a cama somente depois de conhecer gostos e personalidade do parceiro é a maior característica da demissexualidade

Demissexualidade: qualidade de quem precisa conhecer o parceiro para sentir atração. © iStockphoto.com/ArthurHidden


A capacidade humana de atração sexual se dá, muitas vezes, por puro instinto. Ver uma foto de Ryan Gosling ou da Scarlet Johansson, por exemplo, vai arrancar suspiros de todo mundo. Não, nem todo mundo. Quem tem como orientação sexual a demissexualidade, nunca funciona desta forma.

Sentir atração sexual pelas pessoas apenas após um conhecimento maior sobre elas é a principal característica da demisexualidade, de acordo com especialistas. Tratam-se de pessoas, homens ou mulheres, só capazes de terem relações sexuais após uma maior intimidade - que é conseguida através de contatos acolhedores e de bastante cumplicidade.

"Precisa primeiro envolver afetos e depois ter o sexo. Mas a demissexualidade não é uma parafilia, é apenas uma condição para se relacionar com as parcerias", explica a psicóloga e sexóloga Priscila Junqueira.

Demissexualidade é um rótulo, mas alivia

O termo veio à baila recentemente, para alívio de quem tem esta orientação sexual. A vida em sociedade dos demissexuais não é fácil. Demissexualidade é difícil de lidar. Principalmente entre os homens, de quem são cobrados padrões de comportamentos desalinhados com a ideia de querer conhecer a mulher antes de sentir desejo por ela.

Foi o que passou o jornalista Alexandre Bauer. Ele diz ter se reconhecido demissexual após ler um texto compartilhado em uma rede social. E afirma ter sentido um certo alívio. Tendo sido considerado até gay, apenas por não olhar as mulheres como “um pedaço de carne”, a demissexualidade veio dar-lhe muitas explicações.

“Eu  pensei: ‘então tá, se o mundo quiser me dar um rótulo, vai ter que ser esse’. E tinha que ser um rótulo bem difícil, né? Porque, vá lá, ser demissexual e tímido é dar murro em ponta de faca. Enquanto todo mundo arranca um date para o próximo fim de semana com uma passada de olhos nos Tinder da vida, só me interesso por alguém depois de conhecer, de entender um pouco da pessoa, conhecer o jeito, saber o que ela pensa”, conta o jornalista.

Demissexualidade: conhecer antes do prazer 

Sem conhecer é impossível ter prazer. Essa é a regra básica da demissexualidade, mas não é uma regra criada. As pessoas sentem desta forma:  ter encontros sexuais prazerosos sem saber os gostos, por qual time o sujeito torce ou se ele teve uma infância feliz é impossível.

Há quem não consiga suspirar ou ter fantasias sexuais nem com o maior de todos símbolos sexuais célebres. Para o grupo de pessoas consideradas demissexuais, está fora de questão sentir-se atraído com quem nunca se trocou uma palavra.

“São pessoas em que a atração sexual é posterior e dependente de conexão emocional, intelectual ou psicológica. Para uma pessoa demissexual chegar a ter vontade de algo físico, é preciso conhecer primeiro”, confirma  a psicóloga, sexóloga e escritora, Jussania Oliveira.

Em função destas características, na demissexualidade, é muito comum acontecer de se apaixonar por um amigo ou amiga. Afinal, quem você conhece melhor do que alguém com quem já divide muito da sua vida?

“E isso traz muito sofrimento. Pode dar certo se ela também revelar que gosta de você, mas também pode dar muito errado, com você sendo desprezado por alguém que ama muito como amiga e descobre amar também de outro jeito, digamos assim. Eu já vivi as duas situações”, conta Alexandre Bauer.  

Nem melhor, nem pior, apenas diferente

Especialistas consideram que a demissexualidade não é uma escolha. Da mesma forma como acontece com hetero e homoafetivos, trata-se de uma orientação sexual. E também não tem a ver com a sapiossexualidade, pessoas que têm atração por quem é culto ou inteligente.  

A questão na demissexualidade é estabelecer uma relação de conhecimento mútuo, antes de se estabelecer a relação sexual. Se o outro é intelectual ou uma pessoa simples, se tem a aparência dentro dos padrões de beleza vigentes ou não, pouco importa.

Para Bauer, por exemplo, olhar uma foto de Scarlett Johansson nua é apenas uma bela visão estética. "Não sinto desejo por uma mulher só de olhar uma foto. Mas é claro que gostaria de conversar com a Scarlett. Se ela fosse tudo o que eu acho que é, talvez lá pelo quinto encontro eu ia começar a achar ela interessante", brinca o jornalista.

A demissexualidade não é anomalia ou doença. É uma qualidade de gente normal, bem-humorada e de bem com a vida, mas que apenas tem um mecanismo especial de se relacionar sexualmente.

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