Gordofobia: por que ser gorda virou sinônimo de ser feia?

Entenda como o termo gordofobia descrimina mulheres gordas e lindas e como a sociedade deve combater mais esta forma de preconceito

O termo gordofobia tem sido utilizado para se referir ao preconceito contra gordos.


Gordofobia é o termo usado atualmente para definir o preconceito contra pessoas acima do peso padrão estabelecido como ideal. Afetando muito mais mulheres que homens, em função da sociedade ainda olhar a mulher como objeto de adorno – a ‘bela, recatada e do lar’ –, este tipo de discriminação pode atingir 52,5% dos brasileiros que, segundo dados Ministério da Saúde, têm excesso de peso.

Fruto da pressão social, que espera que os indivíduos se adequem a padrões de beleza vigentes baseados na magreza e em ‘musas fitness’, a gordofobia também ganha espaço quando se associa gordura corporal a doenças. 

"Sem contar a explosão de um padrão de consumo de toda sorte de produtos de beleza e de suplementos que reforçam um estereótipo do indivíduo padrão: magro, esbelto, malhado. A maioria da população não se enquadra nesse padrão e isso gera frustração”, comenta Camila Aloísio Alves, psicóloga e professora da Faculdade de Medicina de Petrópolis. 

Ser gordo não é defeito 

A gordofobia atinge em cheio a não-aceitação de quem está acima do chamado peso ideal. Para fazer frente ao preconceito contra gordos, só cuidando da saúde mental. “É importante saber que tudo isso se trata de uma grande construção, que é preciso se conhecer para saber o que é saudável para cada um e respeitar os limites do corpo”, completa Camila Alves.

Mas nem sempre é fácil. Foi o caso da jornalista e apresentadora do Jornal CBN Rio, da rádio CBN. Gorda assumida, bonita e bem sucedida, achou que já tinha superado qualquer problema em relação ao preconceito contra seu peso. 

Até um dia sua filha de cinco anos lhe contar ter ficado chateada com a coleguinha que lhe disse que a mãe dela era gorda. A jornalista conta o quanto foi difícil ver a filha sendo 'ofendida' por uma coleguinha, somente por sua mãe ser gorda. 

"São 37 anos de vida e alguns de terapia, que me levaram a, finalmente, fazer as pazes com o espelho. Achava que não sofreria mais (tanto) por causa do preconceito e da crueldade alheios. Com um nó na garganta, consegui dizer que não me importa dizerem que sou gorda. É verdade. E expliquei à minha filha que ser gordo não é um defeito. Mas virou tema para sessão de análise", conta Carolina Morand.

Na opinião da psicóloga Camila Alves, Carolina está no caminho certo na luta contra a gordofobia na sociedade: cultuando o seu amor próprio. “Autoestima é um exercício de autoconhecimento que só emerge se nós respeitamos nossos limites e descobrimos o que é bom para nós. Dentro das possibilidades de cada um”, completa a psicóloga e professora da Faculdade de Medicina de Petrópolis.

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