Mulheres no Carnaval têm espaço além das rainhas de bateria

Não só de corpos femininos perfeitos em um biquíni vive o Carnaval brasileiro. As mulheres também são destaque em outras funções importantes na folia

Ritmista do Salgueiro no Carnaval de 2012.


Mulheres lindas, bumbuns perfeitos, corpos esculturais à mostra. Essa é a imagem normalmente associada ao Carnaval, especialmente nos desfiles no Sambódromo do Rio de Janeiro. Engana-se, no entanto, quem ainda pensa que a função das mulheres no mundo da folia esteja restrita a atrair olhares em busca do velho fetiche. Mulheres no Carnaval já ocupam espaços muito além do destinado às rainhas de bateria nas escolas de sambas.
 
O movimento teve como pioneira a compositora Chiquinha Gonzaga – que ainda no século XIX foi a primeira mulher a compor um samba-enredo – e hoje não é mais novidade. Na época de Chiquinha, era um escândalo uma moça considerada de família estar envolvida com o Carnaval. Hoje em dia, tudo mudou.

 

Mulheres ritmistas, sem preconceito

A  inserção das mulheres já não causa mais escândalo e sofre cada vez menos preconceito. “O mestre de bateria trata todos iguais. Não existe privilégios ou discriminação com as mulheres. Somos todas tratadas com igualdade e com a mesma exigência que os homens”, conta Marcela Leone, ritmista da bateria da escola de samba Acadêmicos do Salgueiro.
 
No Carnaval 2016, Marcela completará 10 anos como ritmista da sua escola de samba de coração. E todo ano, é quase sagrado as TVs do mundo inteiro mostrarem primeiro a imagem da rainha de bateria do Salgueiro, Viviane Araújo, e depois, a imagem do sorriso de Marcela. “Eu não sei porque isso acontece. Garanto que não sou amiga de nenhum operador de câmera”, conta abrindo o sorriso espontâneo que costuma carregar na avenida.

Viviane Araújo entre dois componentes da escola de samba Salgueiro, em desfile técnico na Sapucaí, antes do Carnaval.


Ela ainda afirma que não existe rivalidade entre as componentes da escola, muito menos com a rainha de bateria. “A Viviane Araújo é uma fofa, ela faz muita questão de estar ali, é amiga das pessoas e aprende como toca o samba no tamborim” afirma a ritmista para elogiar o envolvimento com o samba da famosa madrinha de bateria do Salgueiro.

Maior campeã da Sapucaí é mulher

Como carnavalescas, as mulheres se destacam ainda mais. Em 1982, Rosa Magalhães e Lícia Lacerda foram responsáveis por um dos maiores espetáculos de criatividade e comoção do público. O histórico desfile da Império Serrano, com o famoso enredo "Bumbum Praticumbum Prugurundum" levou a escola ao título daquele ano.
 
Anos mais tarde, Rosa Magalhães assumiu a escola de samba Imperatriz Leopoldinense, fazendo história com o primeiro tricampeonato da 'Era Sambódromo', nos anos de 1999, 2000 e 2001, à frente da Imperatriz.
 
É também de Rosa Magalhães, portanto, de uma mulher, o maior número de títulos conquistados por uma carnavalesco no Rio: quatro títulos pela Imperatriz e um pela Império Serrano.
 

‘Presidenta’ pé quente

Na escola de samba Acadêmicos do Salgueiro, a presidente é uma mulher. Regina Celi assumiu a agremiação em 2009 trazendo sorte à escola. Naquele ano, a Acadêmicos do Salgueiro levou o título de campeã do Carnaval carioca, depois de 16 anos sem conquistar o primeiro lugar.

O troféu trouxe ainda mais credibilidade à gestão de Regina e prova que não existe mais espaço para qualquer preconceito em relação às mulheres em outras funções que não sejam de passistas, destaques ou madrinhas de bateria no Carnaval.
 
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