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No Brasil, há menos crianças para adoção do que candidatos a pais

Próximo ao Dia Nacional de Incentivo à Adoção, dados oficiais do Conselho Nacional de Justiça apontam que a quantidade de pais em busca de filhos adotivos no Brasil é seis vezes maior que o número de crianças a serem adotadas

Adoção no Brasil: há mais candidatos a pais do que crianças a serem adotadas.


A ideia de que há muitas crianças abandonadas no Brasil não se reflete na realidade que o país enfrenta no cenário da adoção. Segundo o último levantamento do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), divulgado em maio de 2015, o número de pretendentes a pais adotivos é seis vezes maior do que o número de crianças disponíveis legalmente para serem adotadas.

A informação chega pouco antes das celebrações do Dia Nacional de Incentivo à Adoção, em 25 de maio, e é complementada por outro dado preocupante, lançado pela ONG Adoção Brasil. De acordo com a organização, o aumento de demanda por adoção é o efeito direto da drástica redução das chamadas “adoções informais”, que até o fnal do século passado eram muito comuns nos país.

No processo fora das etapas judiciais oficiais, muitas das crianças adotadas eram oriundas de tráfico de pessoas, retiradas de famílias muito pobres em troca de alguma quantia em dinheiro ou mesmo roubadas de maternidades ou vítimas de sequestro. Sem contar que os registros de nascimento precisavam ser burlados, com contratação de intermediários para negociações de falsificação de documentos. Uma verdadeira rede de crime e corrupção, alimentada por pessoas ansiosas por ter filhos e que muitas vezes sequer tinham noção do verdadeiro sofrimento por trás do esquema ilegal.

Foi através de campanhas de conscientização e fiscalização em busca de crianças desaparecidas que os candidatos a pais começaram a procurar os meios formais de adoção. E isso explica a demora pela espera de um filho adotivo. 

Antes de liberar as crianças para adoção, as leis favorecem a família biológica da criança. Uma vez que se tem provas reais e inquestionáveis de que aquela criança realmente não têm família ou seus pais biológicos não têm mesmo condições de criá-la, a justiça permite que a mesma entre para o programa de adoção.

Nesse contexto, os meios legais passam para o lado dos pais adotivos, pois, uma vez legitimada a adoção e passado o processo provisório, não se corre nenhum risco de perder a guarda do filho para os pais biológicos. Entenda os caminhos para se adotar uma criança no Brasil.
 
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