Inversão de papeis: mulheres que 'bancam' os seus parceiros financeiramente
Saiba por que mesmo quando se ganha mais que o marido a sociedade ainda resiste em aceitar a mulher como provedora da casa
Baseada em um depoimento do marido de Preta Gil, uma polêmica se instaurou recentemente nas redes sociais. Na meio de seu perfil no Instagram, o companheiro da cantora, Rodrigo Godoy, respondeu a um comentário sobre o fato de ele não fazer nada na vida: "não trabalho mesmo, minha mulher me banca".
Mais uma vez, vem à tona a questão da desigualdade de gêneros. Por que a sociedade vê com maus olhos e faz as mulheres ainda se envergonharem de terem mais recursos financeiros e bancarem a casa? Afinal, quando é um homem que faz isso, tudo parece tão natural, não é?
Segundo especialistas, a percepção de que a mulher não pode sustentar a casa ou pagar as contas do marido se trata de um processo de socialização de gênero pelo qual todos os indivíduos passam. Por meio deste processo, as pessoas aprendem desde a mais tenra idade a introjetar os padrões de comportamento ditos masculinos e femininos.
"Esse processo começa na gravidez quando se define a cor do quarto e as roupas para meninos e meninas, e vai até a fase adulta, definindo o homem como provedor da casa e a mulher como sua dependente", explica a psicóloga Camila Aloísio Alves, professora da Faculdade de Medicina de Petrópolis.
Lugar do homem x lugar da mulher
Esse processo de socialização é extremamente forte e marcante. Por gerações, nasce e se desenvolve uma série de estereótipos e de expectativas, com relação aos lugares a serem ocupados pelos homens e mulheres na sociedade.
"Assim, quando um homem assume que é bancado por sua mulher, ele não está só informando à sociedade sua fonte de renda, mas mostrando que ele não ocupa o lugar social supostamente esperado dele", explica a psicóloga.
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Quando homens e mulheres ocupam lugares não-convencionais, essa transgressão de comportamento pode levar à não-aceitação. E conduzir a um sentimento de vergonha por parte da mulher e do homem, afinal. ambos têm o padrão incutido.
"Muito se discute sobre a necessidade de buscarmos a igualdade de gênero e realmente precisamos trabalhar para isso. Não só na cabeça dos homens, mas também na das mulheres. Ambos reproduzem os padrões, ainda que inconscientemente", reforça Camila Aloísio Alves.
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