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Higiene íntima: perguntas que não ousamos fazer

A zona íntima é uma região muito frágil e manter uma boa higiene diária é indispensável. Deixe o tabu de lado e tire suas dúvidas sobre alguns mitos que podem atrapalhar a saúde da vagina

Ducha vaginal faz bem? 

É inútil limpar o interior da região íntima.


Mesmo com água, não é preciso limpar o interior da vagina. As mucosas da região íntima possuem uma flora vaginal que contém boas bactérias que formam uma barreira protetora contra infecções uro-genitais. Ao limpar o interior da zona íntima, você corre o risco de destruir essa flora protetora e, consequentemente, aumentar o risco de infecção. 

Dicas
Sempre se lave da parte da frente para trás, afim de evitar o contato de bactérias do ânus com a vagina, e enxague-se abundantemente. Depois do banho, seque bem a região com uma toalha limpa. E, é claro, troque de roupas íntimas diariamente.

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Vale qualquer sabonete?

Para a higiene íntima, nada de sabonete comum.


É a zona íntima externa (ao redor da vulva) que deve ser limpa com cuidado, e não a interna. O ideal é utilizar um sabão íntimo neutro, com pH que respeite a fisiologia desta zona do corpo, que esteja entre 4,5 e 9. 
 
Mas o que é o pH? É um indicador que mede a acidez de um meio. O pH 7 é neutro, acima de 7 ele é alcalino e abaixo de 7 é ácido. O pH varia de acordo com a área do corpo, em função principalmente de influências hormonais. Portanto, os produtos para cuidar da higiene íntima devem ter um pH que corresponda ao pH da zona a ser limpa. Senão, o produto é considerado agressivo demais para a pele. 

Dicas
Evite sabonetes cujo pH é muito alcalino, pois ressecam as mucosas. Sabonetes contendo antissépticos também são nocivos à região, pois podem destruir as boas bactérias que estão presentes na vagina (os lactobacilos), desequilibrando a flora bacteriana e gerando um efeito inverso ao desejado, além de aumentar o risco de infecções.
Deixe de lado também os sabonetes perfumados demais e os desodorantes íntimos, pois agridem a flora vaginal. 

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Irritações vaginais: é preciso lavar-se com mais frequência?

Se você sofre de irritações frequentes, saiba que existem produtos próprios para tratá-las.

 
Não é porque sua zona íntima está um pouco irritada que é preciso lavá-la mais frequentemente. Por um bom motivo: limpezas frequentes demais podem, paradoxalmente, aumentar o risco de infecções. Irritada ou não, não faça mais de duas limpezas por dia. 

No entanto, você já deve ter visto as prateleiras de “higiene íntima” nas drogarias e perfumarias. Estão repletas de cremes calmantes, produtos de limpeza suaves, lencinhos... Desde que sejam produtos não agressivos e próprios para a área íntima e sem antissépticos, você pode utilizá-los diariamente, mesmo por períodos prolongados e particularmente se você é sensível às irritações.  

Estes produtos variam de acordo com o princípio ativo e podem ser adaptados a todas as situações. Por exemplo, em caso de irritações frequentes, é recomendável utilizar produtos com propriedades suavizantes e calmantes. No caso de ressecamento íntimo, produtos hidratantes são mais indicados. O pH desses produtos devem estar sempre entre 4,5 e 9 para uso diário. E não hesite em pedir um conselho para seu ginecologista.

Você sabia?  
A bardana é uma planta medicinal reconhecida por suas propriedades calmantes e suavizantes sobre as irritações íntimas. Ela entra na composição de alguns produtos de higiene íntima e é indicada para as peles mais delicadas. 

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Quais são os sinais de uma infecção?

Os sintomas tornam-se rapidamente insuportáveis.


Em caso de infecção vaginal, os sintomas mais frequentes são as coceiras, dores, queimações e corrimentos com cheiro e cor característicos. Ou seja, não é nada agradável.

Marque uma consulta o mais rápido possível com seu ginecologista. Ele vai fazer um exame simples para verificar se trata-se efetivamente de uma infecção e, se for o caso, qual é o agente causador. Em função do resultado do exame, ele prescreverá um tratamento adequado e eficaz. Enquanto espera pela consulta, você pode aplicar um creme calmante, mas jamais se auto-medicar.   

Lembre-se!
É inútil multiplicar as limpezas, sua parte íntima nunca será inodora. Pior, a utilização de desodorantes ou géis perfumados demais não é recomendada, pois podem causar fortes irritações.

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Como tratar a micose?

Em caso de micose, uma consulta médica é necessária.


Em caso de micose, o médico prescreve geralmente um antifúngico local em forma de supositório, a ser colocado diretamente dentro da vagina. Como complemento, ele pode indicar um creme e uma loção de limpeza próprios para o seu caso. 

Os produtos de higiene íntima para infecções vaginais tem a particularidade de ter pH neutro ou ligeiramente alcalino, compreendido entre 7 e 9. Assim, eles combatem o desenvolvimento de fungos que se proliferam mais facilmente em meio ácido.

Você sabia? 
As micoses são as infecções vaginais mais frequentes: 2 em cada 3 mulheres têm micose pelo menos uma vez na vida. Elas são provocadas por fungos microscópicos de muitas variedades. A mais comum, a Candida albicans, está presente naturalmente na flora vaginal, mas em pequena quantidade. 

A flora vaginal, ou seja, os bons micróbios da vagina, impedem que esse fungo se multiplique. Porém, em caso de desequilíbrio dessa flora, devido a uma má higiene ou um tratamento com antibióticos, por exemplo, a Candida albicans se prolifera e a flora vaginal não consegue combatê-la, é assim que surge a micose, chamada então de candidíase.

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Micoses estão relacionadas à falta de higiene?

Uma higiene íntima excessiva pode desequilibrar a flora vaginal e causar micoses.

 
Não, a falta de higiene não é a causa das micoses que se repetem. Às vezes, ao contrário, uma higiene íntima excessiva pode ser a causa. 

Limpezas frequentes demais ou muito agressivas podem desequilibrar a flora vaginal, de modo que as boas bactérias não sejam mais suficientes para proteger seu corpo dos germes que causam infecção. Lembre-se: uma limpeza por dia é suficiente.

Dicas
Em caso de micoses frequentes, é preciso investigar os fatores que as desencadeiam. Pode ser uma higiene íntima excessiva, a utilização de um sabonete ácido demais ou ainda o fato de você ter tomado antibióticos. A utilização de certas pílulas anticoncepcionais, o uso de roupa íntima sintética ou calças muito justas também estão associados ao desenvolvimento de micoses. Uma vez identificada a causa, é possível limitar os riscos mais facilmente.

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Maiôs e biquínis não são higiênicos?

Seque-se antes de se vestir!


É durante o verão que você costuma sofrer de irritações ou micose? Nada é por acaso. Isso ocorre porque a zona íntima é muito frágil e são muitos os fatores que podem provocar essas reações.  

O calor e a transpiração são propícios para o desenvolvimento de germes e o uso de roupas justas favorecem as fricções. Então, não coloque seu shorts por cima do maiô molhado após nadar! Umidade, calor e a proximidade com a zona íntima são as condições ideais para o desenvolvimento de bactérias.

Dicas
Prefira roupas confortáveis, que não causem fricções com a região íntima, e de algodão, principalmente para as roupas íntimas. 

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É preciso se lavar mais durante o período menstrual?

O risco de infecção vaginal é maior durante o período menstrual.


Em tempos normais, uma limpeza íntima por dia é suficiente. Durante o período menstrual, é possível lavar mais frequentemente a zona íntima (somente a externa), sobretudo em caso de irritações. É um período em que se está efetivamente mais sujeito às infecções, porque as bactérias protetoras diminuem e a flora íntima se desequilibra

Os absorventes provocam, às vezes, irritações na vulva por causa de fricção. Para limitar os riscos, é recomendável trocá-lo a cada quatro horas no máximo, seja externo ou interno (tampão).

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Gravidez, menopausa: mucosas mais sensíveis?

Durante a gravidez, e também na menopausa, as mucosas estão mais frágeis e sujeitas às infecções.


Com a menopausa, a mulher sofre uma série de pequenas mudanças em seu corpo ligadas aos distúrbios hormonais (redução de estrogêneos). Em particular, as mulheres reclamam com frequência de ressecamento vaginal. As mucosas ficam mais frágeis e, portanto, mais sujeitas às irritações e infecções.  

Nesse período, os produtos de higiene íntima suaves, hidratantes e calmantes são aconselhados para reduzir o desconforto e para preservar a hidratação das mucosas. Pode-se também utilizar supositórios vaginais, que trazem probióticos que vão restaurar a flora vaginal. 

Lembre-se!
Durante a gravidez, o risco de micoses também é mais alto, em razão do aumento importante dos estrogêneos, que diminuem o pH da zona vaginal. Isto faz com que seja mais propício o desenvolvimento de micoses. Para prevenir, utilize produtos de higiene com pH ligeiramente alcalino.

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Depilação completa = zero problema de higiene?

A depilação total pode provocar irritações, às vezes até infecções.


Pode parecer, mas a depilação completa da zona íntima não elimina o risco de micoses e de outras infecções vaginais. Ao contrário, esse tipo de depilação aumenta os riscos de infecções e de problemas na região.  

Isto ocorre porque os pelos têm um papel importante: proteger a zona íntima. Uma vez depilada, essa região está desprotegida contra as agressões, como as fricções com as roupas íntimas ou com os absorventes higiênicos. A zona da vulva torna-se seca, irritada. A mucosa está, desta forma, bem menos protegida contra as micoses e outras infecções. 

Sempre que optar pela depilação íntima, é aconselhável evitar o uso de calças justas e dar preferência a roupas largas, de algodão. Além disso, existem produtos calmantes de diferentes formas, como lenços e cremes, que podem limitar as irritações.

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