Educar bem os meninos pode ajudar a criar uma sociedade menos machista

Saiba o que dizem especialistas para evitar cair nos clichês quando se trata de educar meninos

Meninos bem educados serão homens menos machistas.


Que homens e mulheres são biologicamente diferentes, a ciência comprova diariamente. Composição cerebral e comportamentos ancestrais que influenciam a genética ainda levam muito pais a diferenciarem o modo de passar valores e educação a meninos e meninas.

Mas quando alguns modelos de comportamento masculino e rótulos machistas incomodam até os homens, é hora de pensar se algo está dando errado na educação dos meninos. Segundo especialistas, evitar os clichês como homem não chora, não brinca com boneca, pode ser bagunceiro ou agressivo é o ponto chave para não errar na educação.
 
E, em primeiro lugar, são os pais que devem se desapegar destes padrões masculinos, ainda arraigados na sociedade. “A melhor forma de evitar clichês é  não acreditar nem se identificar com eles. Assim, fica muito mais fácil demonstrar e conversar com os filho sobre chorar, expressar emoções de forma adequada, brincar com bonecas etc”, explica a psicóloga Rogéria Cruz.
 

Educar os pais para educar os meninos

A velha máxima de que valores se aprendem em casa também é o caminho rumo a uma sociedade menos machista no futuro, afirmam especialistas. “Vale lembrar que os filhos aprendem principalmente com os olhos, então, acima de tudo os pais devem ser os modelos”, completa a psicóloga.
 
Para Rogéria Cruz, quando os pais ou irmãos mais velhos dividem as tarefas domésticas, são gentis com as mulheres e adotam um comportamento de parceria, responsabilidade e respeito mútuos, os meninos aprendem quase naturalmente a serem da mesma forma. “As crianças absorvem muito o que veem”, afirma Rogéria Cruz.
 

Mulheres machistas, meninos também

Também os ouvidos das crianças são muito atentos ao universo ao redor. Ao conversar perto dos filhos é bom pensar bem nas palavras que se escolhe para definir esta ou aquela situação ou pessoa. “Exemplo ainda é a melhor forma de educar os filhos, para não serem machistas”, ensina a psicóloga.
 
Muitas vezes são as próprias mães que criam meninos de forma machista. Isso é fruto da educação recebida pelas mulheres, ainda muito baseada em modelos dessa dinâmica social em que o sexo feminino é considero inferior. “Mesmo sem querer a mãe acaba reproduzindo o modelo que está tão arraigado em sua formação. O jeito é estar sempre alerta e questionando suas ações”, diz a especialista.
 
Meninos e meninas devem receber os mesmos modelos e instruções sobre postura diante da sociedade, de responsabilidade e divisão de tarefas, de respeito e cooperatividade. “Uma menina não deixa de ser menina porque joga futebol, bem como um menino não deixa de ser menino porque gosta de culinária", afirma a psicóloga. 

O importante é internalizar o conceito de que uma atividade ou ação não muda o gênero de quem a executa. "Essa é a forma que pode evitar a perpetuação do pensamento e conduta machistas que põe a sociedade em atraso”, orienta Rogéria Cruz.
 
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