Lombalgia: saiba tudo sobre a dor que atinge a região lombar
A lombalgia é mais comum do que se pensa e pode atingir pessoas em qualquer fase da vida, principalmente a partir dos 35 anos
Dor na região lombar (aquela área localizada na parte inferior da coluna), que pode se prolongar para as nádegas e a parte posterior da coxa. Essa é alombalgia, dor muito comum entre mulheres e homens de qualquer faixa etária, mas principalmente após os 35 anos. “Em média, 90% da população terá um episódio de lombalgia no decorrer da vida”, esclarece Tarsila Pagnan, ortopedista de São Paulo.
Tipos de lombalgia
A dor na região lombar se apresenta de duas formas: aguda e crônica. No primeiro caso, de acordo com a ortopedista, o problema tem duração de quatro a seis semanas e é uma dor intensa, que acomete principalmente pessoas entre 35 a 55 anos. “Normalmente, ocorre por pegar peso demais, por conta de movimentos inadequados. Destes pacientes, de 2 a 7% irão evoluir para a forma crônica”, alerta Tarsila.
Já a lombalgia crônica é a dor que persiste por mais de três meses e requer investigação especializada para um tratamento efetivo. Geralmente, atinge pessoas na terceira idade e a intensidade da dor é menor, porém mais constante do que a aguda.
Quais são as causas?
Alguns fatores podem contribuir para a lombalgia. Alexandre Elias, neurocirurgião e membro do Centro de Dor e Neurocirurgia Funcional do Hospital 9 de Julho, em São Paulo, lista alguns deles:
- Desgaste ou degeneração da região lombar;
- Má postura;
- Carregar peso em excesso.
Dentre as causas apontadas, a postura é o principal fator de risco. “Postura incorreta ao realizar atividades diárias como se abaixar, se sentar, deitar, ou mesmo no trabalho e esporte podem acarretar sobrecarga à coluna”, aponta a ortopedista.
A lombalgia também pode ser desencadeada por conta de uma inflamação nos rins, como é o caso do cálculo renal, ou então, devido uma hérnia de disco, artrose ou listese (escorregamento) de vértebra, sedentarismo, envelhecimento e até questões emocionais (depressão, ansiedade e estresse).
Entre os grupos de riscos, estão as pessoas que apresentam obesidade, tabagistas e aqueles com predisposição genética.
A lombalgia nas mulheres
Mesmo a dor lombar sendo um problema que atinge homens e mulheres por igual,algumas particularidades femininas podem contribuir com o aparecimento da lombalgia. A começar pela gravidez, já que o ganho do peso durante a gestação e alteração da pélvis causam sobrecarga. Mas, normalmente, os sintomas regridem após o parto.
A osteoporose também é uma causa da lombalgia. O problema atinge os idosos e mais frequentemente as mulheres. “A osteoporose não causa dor, mas pode ter uma incidência maior de fratura de vértebras lombar”, esclarece Tarsila.
De olho no diagnóstico e tratamento
A análise médica para detectar a lombalgia é realizada com uma boa anamnese (história detalhada da queixa do paciente) e exame físico minucioso. “Exames de imagem podem auxiliar o fechamento do diagnóstico, tais como radiografia e tomografia (que avaliam parte óssea, em casos de artrose, listese, ou fratura), ressonância magnética (que avalia partes moles, hérnia de disco, inflamações) e ultrassom (que verifica a ocorrência de cálculo renal)”, afirma Tarsila.
No que diz respeito ao tratamento, o primeiro passo é definir a causa da lombalgia para evitar a progressão da doença e novas crises. Na maioria dos casos, a dor se resolve com tratamento por meio de analgésicos, fisioterapia e acupuntura, pelo período mínimo de seis semanas.
“Nos casos crônicos podem ser necessários tratamentos mais invasivos, como as chamadas infiltrações, técnica em que anestésico e corticoide são infiltrados na coluna”, diz a ortopedista.
Como evitar as dores
A prevenção se dá por meio da boa postura, sempre pensando em nunca sobrecarregar a coluna. “Atividade física com acompanhamento, alimentação balanceada, checkup médico e não fumar também são boas práticas para evitar a lombalgia e ter uma coluna vertebral mais saudável”, aponta Elias.
Outra dica importante é prestar atenção na postura ao realizar atividades diárias. Muitas vezes, elas são feitas de maneira incorreta causando estresse na coluna. O recomendado é sempre manter a coluna alinhada. Veja algumas dicas:
- Quando for se abaixar dobre os joelhos e não somente o torso;
- No trânsito, enquanto dirige, mantenha a coluna ereta e encostada no banco. As mãos devem estar no volante e os braços, ligeiramente dobrados;
- No escritório, regule a altura da cadeira de modo que os pés encostem totalmente no chão e os braços apoiados na mesa fiquem em um ângulo de 90 graus;
- Use um apoio para pés, caso não seja possível se posicionar corretamente apenas regulando a altura da cadeira;
- Ainda no escritório, cuide para que as costas e lombar fiquem encostadas na cadeira e não jogue o pescoço para frente.
