Cerclagem: saiba como funciona e para que serve o procedimento
Sutura no colo do útero pode prevenir o nascimento do bebê antes da hora
Quando uma mulher está grávida, pela ordem natural tudo que se quer é percorrer as 40 semanas de gravidez da forma mais tranquila, preparando-se para a chegada do bebê. Mas, muitas vezes, alguns percalços são inevitáveis. Em alguns casos nos quais a mulher corre risco de aborto ou de parto antes do tempo, a cerclagem - ou circlagem - pode ser a solução.
"Por definição, cerclagem são pontos realizados no colo uterino de uma gestante, a fim de se evitar um trabalho de parto prematuro e, por consequência, o nascimento de um bebê antes do tempo", explica o Dr. Marcos Tcherniakovsky, médico responsável pelo setor de vídeo-endoscopia ginecológica da Faculdade de Medicina da Fundação do ABC.
O nome procedimento vem de um termo de origem francesa (cerclage) que significa, literalmente, “efetuar um cerco”.
Em quais circunstâncias recomenda-se a cerclagem?
Segundo o especialista, o procedimento deve ser feito quando há suspeita de uma incompetência istmo-cervical, ou seja, quando o colo do útero se abre (dilata) à medida que ocorre o desenvolvimento da gestação. Nos casos e dilatação antecipada do colo do útero, a cerclagem deve ser realizada e programada entre a 12º e a 16º semana de gestação.
"A cerclagem é indicada ainda quando temos uma gestante com história de abortamentos em fase mais tardia, geralmente acima de 16 semanas de gestação ou em casos de colo uterino curto (menores que 3 cm de comprimento)", orienta Dr. Tcherniakovsk.
De acordo com o médico da Faculdade de Medicina da Fundação do ABC, quem está grávida de gêmeos precisa redobrar o cuidado e conversar bastante com o médico de confiança antes de submeter-se à cerclagem. "Em casos de gestação múltipla este procedimento é questionável e dependerá de cada caso", reforça o especialista.
Depois da cerclagem, parto normal
Para a gestante os riscos na realização da cerclagem são basicamente a necessidade de se realizar uma anestesia e a possibilidade de este procedimento desencadear uma trabalho de parto prematuro.
"Para o bebê não existe risco quanto ao procedimento, com exceção de poder ocorrer uma rotura da bolsa amniótica no momento da realização dos pontos no colo uterino", diz o Dr. Tcherniakovsk.
Porém, estudos científicos demonstram que o risco de estourar a bolsa amniótica é pequeno quando a cerclagem é feita antes 38º semana de gravidez.
Quando a cerclagem é realizada em estágio ainda não avançado da gestação, é possível, inclusive, que a mulher dê à luz seu filho através do parto natural - o chamado "parto normal".
"Programamos a retirada dos pontos do colo do útero no momento que sabemos da maturidade do feto (acima de 38 semanas até 41 semanas) e, neste caso, costuma-se realizar este procedimento com a paciente internada, pois pode ocorrer uma dilatação rápida do colo uterino devido o peso do bebê", completa o Dr.Tcherniakovsk.
