Saiba o que cirurgia ortognática e em quais casos é indicada
Muito mais do que simplesmente pela estética, procedimento pode aumentar a qualidade de vida das pessoas com desarmonia facial
Segundo dados da Sociedade Brasileira de Odontologia, somente no Brasil, entre 25 e 30% da população possui desarmonia facial em algum grau. Esse problema ocorre principalmente quando boca, queixo ou gengiva são muito acentuados. A solução para estes caos é a cirurgia ortognática.
O procedimento tem como objetivo o reposicionamento dos maxilares para que atinjam a sua melhor relação, possibilitando uma melhor oclusão (mordida). Além de beneficiar também na questão estética, dando um aspecto mais proporcional à face.
De acordo com Gabriel Campos, que é especialista em cirurgia buco-maxilo-facial, a cirurgia ortognática é um procedimento funcional, que tem como objetivo maior trazer o bem-estar ao paciente.
“A ideia de que trata-se de mais da questão estética existe pelo fato de que o rosto da pessoa muda para melhor com a correção do problema”, destaca o cirurgião. O especialista destaca, porém, que é fundamental o uso de aparelhos ortodônticos antes da cirurgia.
Para quem é indicada?
A realização da cirurgia ortognática é indicada, portanto, quando se identifica uma desarmonia na face. “Pode ser pelo crescimento fora do normal de algum dos ossos da face (pelo exagero ou inadequação). Os mais comuns são a mandíbula, o maxilar, queixo, nariz ou da maçã do rosto (malar)”, reforça o Dr. Gabriel Campos.
Além de proporcionar a assimetria facial, a cirurgia ortognática contribui para o tratamento e até prevenção de problemas mais sérios, como distúrbios da fala, problemas respiratórios e mesmo de inserção social. Alguns rostos desproporcionais costumam fazer seus portadores sofrerem com bullying.
“A cirurgia deve ser feita a partir dos dezessete anos de idade, corrigindo funções importantes para a saúde como a mastigação e evitando a retração da gengiva, o desgaste nas articulações temporomandibulares, a artrose temporomandibular e uma série de outros problemas do esqueleto maxilo-facial”, afirma o especialista.
Como em qualquer outro tipo de cirurgia, as contraindicações para este procedimento estão ligadas a limitações em relação à anestesia geral. E também para pacientes com distúrbios neurológicos ou que não possam passar um tempo com alimentação restrita (pós-operatório).
“Os riscos e complicações que podem ocorrer devido à predisposição da pessoa ou da má escolha do profissional que irá fazer”, reforça o especialista.
Tecnologia ajuda no resultado da cirurgia ortognática
Tudo começa com a realização de exames laboratoriais, comuns a qualquer tipo de cirurgia. Em seguida, é feito um planejamento virtual no computador, como forma de atingir o máximo de precisão. As informações são enviadas para o centro cirúrgico e, através da tecnologia, é possível o paciente ter uma ideia de como seu rosto vai ficar após a cirurgia.
“É o uso desta tecnologia que garante os bons resultados atingidos na cirurgia”, ressalta Campos. O procedimento pode durar de duas a quatro horas, sendo realizado inteiramente dentro da boca e não deixando qualquer cicatriz visível na parte externa da face.
“O cirurgião faz alterações milimétricas para mudar as formas da maxila, mandíbula e cornetos para que se alcance o melhor resultado”, explica.No pós-operatório é possível destacar a ausência quase total de dor, apesar de que é indicado afastamento de pelo menos 15 dias das atividades normais.
Durante a primeira semana a alimentação será apenas por líquidos, passando depois para pastosos até chegar à reinclusão dos sólidos. Carnes e alimentos mais resistentes são recomendados apenas após 3 meses. “Após a cirurgia haverá a continuidade do uso do aparelho ortodôntico, como já vinha sendo utilizado anteriormente”, conclui o especialista.
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