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Automedicação: especialista explica e alerta para os riscos à saúde

Apesar de muito comum, automedicação pode trazer sérios riscos à saúde, como agravamento de uma doença ou mesmo intoxicação

Automedicação pode trazer problemas graves à saúde e até levar à morte.


Faça o teste: experimente dizer perto de amigos, colegas de trabalho ou familiares que você está com dor de cabeça e veja quantos deles vão oferecer um 'remedinho' e quantos indicarão a você um especialista para investigar o que pode ser a causa da dor. Certamente a maioria oferecerá algum comprimido ou dose de medicamento. A isso se dá o nome de 'automedicação'.

Esta é uma realidade grave e perigosa que é culturalmente perpetuada sem nos darmos conta. Inúmeras doenças possuem entre seus sintomas a dor de cabeça e tomar remédio aleatoriamente pode gerar um problema de saúde ainda maior

Para Thais Merluzzi, médica cardiologista e intensivista do Hospital Moriah, “a automedicação é o uso de medicamentos por conta própria ou por orientação de pessoas não habilitadas sem avaliação dos sintomas percebidos pelo médico”. Entre os motivos mais comuns para a automedicação estão os casos de resfriado, febre e dor.

A especialista afirma que não existe uma estatística que aponte um percentual de pessoas que se automedicam, mas alguns números são assustadores. “Algumas pesquisas feitas pelo IBGE mostraram que entre pessoas que procuram atendimento de saúde, 14% adquiriram medicamentos sem receita médica, percentual que parece bastante subestimado. Segundo dados da Abifarma (Associação Brasileira das Indústrias Farmacêuticas), cerca de 20 mil pessoas morrem anualmente, no país, vítimas da automedicação”, destaca.

Riscos da automedicação

Thais Merluzzi alerta que os riscos da automedicação são inúmeros, podendo ir desde uma pequena reação alérgica a até mesmo quadros graves de intoxicação que podem levar à morte. “Existe ainda a possibilidade de a medicação escolhida não ser a mais adequada para o caso clínico, quando a automedicação pode atrapalhar o diagnóstico da doença”. 

Um dos exemplos dados pela especialista é o da apendicite aguda. “O doente inicia com um quadro frusto e se automedica com antibióticos. A apendicite aguda em fase inicial que se resolveria com uma cirurgia considerada tecnicamente simples, pode evoluir para um quadro grave de infecção abdominal que pode levar ao óbito”, ressalta. 

Segundo Thais Merluzzi, os efeitos colaterais das medicações nem sempre conhecidos pela população, o que pode agravar o quadro clínico. “Por exemplo, o uso de anti-inflamatório que pode causar sangramento gastrointestinal e disfunção renal. Se o remédio for antibiótico, o uso abusivo pode facilitar o aumento da resistência de bactérias, o que compromete a eficácia dos tratamentos”.

Automedicação: reflexo de um sistema de saúde ineficaz

A automedicação é muito grave, mas apesar de urgente não é tão fácil assim encontrar uma solução. “Este tema é bastante polêmico, pois nos deparamos com as limitações do acesso aos programas de saúde que temos em nosso país”, ressalta a especialista. 

Mas, apesar disso, o debate é considerado essencial por Thais Merluzzi. “O ideal é que sejam feitas campanhas de esclarecimento para o uso inadequado de medicações e que o acesso ao atendimento médico seja mais rápido e eficaz”, conclui. 

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