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O viagra feminino é para você?

O medicamento aprovado pelo órgão regulador americano promete devolver a libido feminina. Mas não é indicado para toda mulher

O viagra feminino promete aumentar o desejo sexual feminino.


Estatísticas mostram que 50% das mulheres vão se queixar de falta de libido em algum momento de suas vidas. Foi por esse motivo que a notícia de que a Food and Drugs Administration (FDA) - agência que regula alimentos e medicamentos nos Estados Unidos - aprovou a comercialização do medicamento Addyi, foi tão celebrada pelo público feminino. 

“Significa uma vitória ter vencido a resistência do FDA, um órgão extremamente conservador que já tinha negado em duas outras ocasiões a aprovação da droga. Que esse seja um caminho para outros medicamentos semelhantes”, diz a ginecologista e sexóloga Carolina Ambrogini, coordenadora do centro de sexualidade feminina da Universidade de São Paulo (Unifesp).

Apesar de ser uma conquista importante para as mulheres que sofrem com a falta de desejo sexual, o uso da droga só deve ser indicado para uma pequena parte delas: o Addyi, nome comercial para a flibanserina, deve ficar restrito, por enquanto, apenas àquelas na fase pré-menopausa com disfunção sexual adquirida e crônica. Em outras palavras, quando os sintomas de desinteresse persistem por pelo menos seis meses, independentemente da situação do relacionamento ou parceiro. 

“Com a aprovação do medicamento, novas pesquisas vão surgir e poderemos definir melhor qual é o perfil ideal para a droga”, explica Ambrogini. A especialista também afirma que o remédio não vai salvar uma relação em que não há mais desejo e interesse entre os envolvidos nem é recomendado para as mulheres na menopausa, já que, nessa fase, a baixa libido geralmente está associada a questões hormonais que carecem uma terapia de reposição.

Ação do medicamento

A flibanserina atua no sistema nervoso central, regulando os neurotransmissores envolvidos na libido feminina, como a dopamina. Diferentemente no Viagra, que deve ser ingerido apenas nos dias em que o homem tiver uma relação sexual e oferece efeito instantâneo, o Addyi tem ação lenta e prolongada e deve ser consumido diariamente. Os resultados aparecem entre quatro a seis semanas de uso. Porém, nem todas as usuárias vão responder ao tratamento. “Somente metade das pacientes mostraram aumento no desejo sexual”, fala Carolina. 


De acordo com os estudos clínicos feitos com cerca de 11 mil mulheres na faixa dos 35 anos e em relacionamentos estáveis e monogâmicos, o medicamento elevou o número de eventos sexuais satisfatórios relatados pelas usuárias de 0,5 a 1 por mês – um valor modesto. “O medicamento não vai ter o impacto que o Viagra teve na vida sexual dos homens, pois a falta de libido é complexa, mas estamos otimistas com a primeira medicação exclusiva para o desejo sexual feminino”, afirma Carolina.

Além de definir um público-alvo, a FDA estabeleceu diversas regras para a prescrição da droga, como a divulgação de possíveis efeitos colaterais, sobretudo se ela for associada ao álcool – artifício muitas vezes utilizado pelas mulheres para aumentar a desinibição e a libido. Nesses casos, situações de tonturas, queda de pressão, perda de consciência, enjoo, desmaio e sonolência podem ser potencializadas. 

O Addyi ainda não tem previsão de chegada ao Brasil.

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Publicado por . Última modificação: por oRedacao.

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