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8 a cada 10 pacientes com câncer de cabeça e pescoço são ou já foram fumantes

Pesquisa realizada pelo Instituto do Câncer do Estado de São Paulo revela que o consumo excessivo de álcool também está associado ao desenvolvimento do mesmo tipo de tumor

Tabagismo e etilismo podem aumentar as chances de desenvolvimento de câncer de cabeça e pescoço.


Um levantamento realizado pelo Instituto do Câncer do Estado de São Paulo (Icesp), ligado à Secretaria de Estado da Saúde e à Faculdade de Medicina da USP, mostra que 80% dos pacientes com câncer de cabeça e pescoço atendidos no hospital são ou já foram tabagistas. Os dados alarmantes da pesquisa revelaram ainda que o consumo excessivo de álcool também está associado ao desenvolvimento desse tipo de doença, que atinge 5% de todos os casos diagnosticados de câncer no mundo, segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA).

Dentre as diversas neoplasias que podem ser desenvolvidas devido ao uso de cigarros estão as que se manifestam na região da cabeça e pescoço. Dos pacientes tratados no setor, 60% são acometidos por tumores localizados na boca e 40% na faringe ou laringe. O estudo aponta ainda que 60% desses pacientes são homens, sendo que as ocorrências são mais frequentes em pessoas acima de 50 anos.

Além do tabagismo, o etilismo é outro fator que pode desencadear esse tipo de câncer. “O álcool, assim como o tabaco, tem uma relação expressiva com a doença. Cerca de 50% dos nossos pacientes são etilistas”, aponta o médico Marco Aurélio Kulcsar, chefe de Clínica da Cirurgia de Cabeça e Pescoço do Icesp.


Os dados ratificam os índices apontados pela Sociedade Brasileira de Cirurgia de Cabeça e Pescoço (SBCCP), que mostram que o consumo das duas drogas juntas pode aumentar em 20 vezes as chances de uma pessoa desenvolver esse tipo de tumor. De acordo com Kulcsar, o Instituto do Câncer realizou ao longo de 2014 cerca de 6.800 consultas no setor, marca que representa quase o dobro de atendimentos no ano anterior. “Embora os tumores sejam passíveis de detecção precoce, por estarem em regiões visíveis, muitas vezes os sintomas ainda passam despercebidos”, comenta o especialista.

Sintomas e prevenção

O câncer de cabeça e pescoço compreende um grupo de neoplasias classificadas por localização, em áreas diretamente envolvidas com as funções da fala, deglutição, respiração, paladar, olfato e outros. Entre os sintomas manifestados estão: manchas brancas na boca, dor, lesão ulcerada ou com sangramento e cicatrização demorada, nódulos no pescoço presentes por mais de duas semanas, mudanças na voz ou rouquidão persistente e dificuldade para engolir. 

Apesar do grande número de casos, o potencial de prevenção da doença é alto, devido a sua relação inerente com o tabagismo e etilismo. Medidas simples como não fumar e não consumir bebidas alcoólicas em excesso, além de dar preferência a alimentos pobres em gordura e ricos em fibras, ajudam a evitar o desenvolvimento dos tumores.

Especialistas orientam também que as pessoas se habituem a examinar a boca regularmente, já que, se detectados na fase inicial, os tumores apresentam até 80% de chance de cura. “O diagnóstico precoce é sem dúvida um dos nossos aliados. Quando falamos em tratamento, enquanto um paciente com um tumor avançado chega a ficar até 10 dias internado depois da cirurgia, aqueles que apresentam casos iniciais podem receber alta em apenas dois dias, sem precisarem sequer passar pela radioterapia”, explica o médico. Por isso, a dica é não deixar de realizar consultas médicas e exames de rotina.

Copyright foto: iStock

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